THE JAPANESE CONCUBINE . 3 MONOLOGUES | A CONCUBINA JAPONESA . 3 MONÓLOGOS

APRESENTAÇÃO ESPECIAL | SPECIAL PRESENTATION

QUI 11 Nov 21 | 20h00
Rock da Baixa-Mar Tavira

organização Cineclube de Tavira e Partilha Alternativa

A CONCUBINA JAPONESA
Três Monólogos
de Rudolf Engelander

THE JAPANESE CONCUBINE
Three Monologues
by Rudolf Engelander

intérpretes | interpreters
Pedro Ramos | Álvaro Pai
Kyoko Tsukamoto | Sakura, a Concubina Japonesa
Susana Nunes | A mãe de Álvaro de Campos

fotografia | photography
Vinicius Almada | Introdução e A mãe de Álvaro de Campos
Mairea Segui Buenaventura | O Pai de ÁLvaro de Campos
Renato Di Ghiurghi | Sakura, A Concubina Japonesa

edição final final editing | Vinicius Almada
direção direction | Tela Leão

baseado na performance-conferência
A CONCUBINA JAPONESA
Uma Fantasia Plausível
de Tela Leão

que foi apresentada na FESTA DOS ANOS DE ÁLVARO DE CAMPOS 2019

based on the performance-conference
THE JAPANESE CONCUBINE
A Plausible Fantasy
by Tela Leão

which was presented at the FESTA DOS ANOS DE ÁLVARO DE CAMPOS 2019

Filme de curta-metragem | Short feature film

 ABOUT THIS MOVIE

This film was inspired by the spirit of the work and creative process of the poet Fernando Pessoa, undoubtedly one of the best and most intriguing Portuguese poets, who, with his three heteronyms and other literary identities, can convey a multiplicity of ideas and approaches to life. For each of his heteronyms, Fernando Pessoa created life stories and strong personalities that were distinct from each other, and often very different from him, the author. One of these heteronyms, Álvaro de Campos, was born in Tavira and studied Naval Engineering in Glasgow, Scotland.

The film was produced for the BIRTHDAY PARTY FOR ÁLVARO DE CAMPOS, a multidisciplinary festival that has been taking place in Tavira since 2015. This PARTY encourages artists to be inspired by the work of the poet Fernando Pessoa and especially by the heteronym Álvaro de Campos.

The 3 characters created for this film tell the same story from subjective points of view: Álvaro de Campos’s father abandoned his wife and son in Portugal to pursue a diplomatic career in Japan. There he fell in love with a prostitute, made her his concubine, and ended up marrying her when his Portuguese wife died.

Would this story explain the idiosyncrasies of Álvaro de Campos as an adult? According to Pessoa, “Álvaro de Campos (the most hysterical of me) would be an alarm bell for the neighborhood.”

These general lines of character creation were established by me based on an idea by a couple of Japanese artists who suggested that “Álvaro de Campos’s father” would have lived in Japan. From this premise I developed the plot: The mother stayed in Tavira with their baby son. The mother’s brother, who was a priest, helped her to educate the boy. This “fact” can be found in Fernando Pessoa’s own description of Álvaro de Campos. The pieces of Namban art that are in the Museum of the Church of Santa Maria do Castelo, Tavira, without any record of how they ended up in the estate of that institution, helped to build “evidence” for this history. I assumed they were gifts for the mother and her brother, the priest, offered by Álvaro de Campos’s father in the only visit he ever made to his family in Tavira, whom he had abandoned when moving to Japan. 

But the story had to be told with equally strong and solid texts, without losing its poetic charm. A job for the writer and playwright Rudolf Engelander who explains that the three monologues originated from a “fantasy within a fantasy”, where he made the three characters “interact implicitly without meeting and, at the same time, live in the present, the past and the future.”  

The monologues give the film a poetic and surrealist approach with the unmistakable signature of the writer Rudolf Engelander, but there was room for markedly different interpretations, created by three different teams in three parts of the world. So we have the multiple costumes that mirror the mutable character of the father, anchored however on a fixed stone background, in a reading by the actor Pedro Ramos together with his photography director Mairea Segui Buenaventura. In contrast, the calm, controlled and yet highly emotional concubine is the only truly happy person in this story, as Kyoko Tsukamoto tells us, supported by the sobriety and elegance of the image created by its cinematographer Renato Di Ghiurghi. Then the abandoned, temperamental, and deeply unhappy mother reacts as if prompted by the camera, or perhaps it is the camera that reacts to the impetuous narrative of actress Susana Nunes captured as if in “direct dialogue” by her director of photography Vinicius Almada.

The original idea of this project was to produce it as a play, but the financial difficulties we would have had to face to gather this cast for rehearsals and performances, led us to opt for a film version. Coincidentally, the Covid pandemic ended up obliging remote working. The time lapse between the first filmed segment, the mother, and the last, the concubine, was due to the fact that this actress was infected, and we had to wait many months for her to fully recover.

Financial means were minimal. We were able to get the job done thanks to the generosity of the artists and the more than lean crews, each of them filming as close to their homes as possible. We regret not having been able to provide more means to guarantee better technical quality, but we believe that, in fact, the professionals involved were able to overcome the difficulties and deliver a result that, despite not being technically perfect, gives consistent and satisfactory support to the work of the artists. We thank them and the generosity of all the other contributors who are credited in the film.

Tela Leão, Director

SOBRE O FILME

Este filme foi inspirado no espírito da obra e do processo criativo do poeta Fernando Pessoa, sem dúvida um dos melhores e mais intrigantes poetas portugueses, que, com os seus três heterónimos e outras identidades literárias, consegue transmitir uma multiplicidade de ideias e abordagens vida. Para cada um dos seus heterónimos, Fernando Pessoa criou histórias de vida e personalidades fortes, distintas entre si, e muitas vezes muito diferentes dele, o autor.

Um deles, Álvaro de Campos, nasceu em Tavira e estudou Engenharia Naval em Glasgow, Escócia.

O filme foi produzido para a FESTA DOS ANOS DE ÁLVARO DE CAMPOS, um festival multidisciplinar que decorre em Tavira desde 2015. Esta FESTA incentiva os artistas a se inspirarem na obra do poeta Fernando Pessoa e principalmente no heterônimo Álvaro de Campos.

Os 3 personagens criados para este filme contam a mesma história de um ponto de vista subjetivo: o pai de Álvaro de Campos abandonou a esposa e o filho em Portugal para seguir carreira diplomática no Japão. Lá ele se apaixonou por uma prostituta, fez dela sua concubina e acabou se casando com ela quando sua esposa portuguesa morreu.

Essa história explicaria as idiossincrasias de Álvaro de Campos quando adulto? Segundo Pessoa, “Álvaro de Campos (o mais histérico de mim) seria um alarme para o bairro”.

Essas linhas gerais de criação de personagens foram estabelecidas por mim a partir de uma ideia de um casal de artistas japoneses que sugeriram que o “pai de Álvaro de Campos” teria morado no Japão. A partir dessa premissa desenvolvi a trama: a mãe ficou em Tavira com o filho bebé. O irmão da mãe, que era padre, a ajudou a educar o menino. Este “fato” pode ser encontrado na própria descrição que Fernando Pessoa faz de Álvaro de Campos. As peças de arte Namban que se encontram no Museu da Igreja de Santa Maria do Castelo, em Tavira, sem qualquer registo de como foram parar ao espólio daquela instituição, ajudaram a construir “evidências” para esta história. Presumi que fossem prendas para a mãe e seu irmão, o padre, oferecidas pelo pai de Álvaro de Campos na única visita que fez em Tavira, à família que abandonara quando se mudou para o Japão.

Mas a história tinha de ser contada com textos igualmente fortes e sólidos, sem perder seu encanto poético. Um trabalho para o escritor e dramaturgo Rudolf Engelander que explica que os três monólogos se originaram de uma “fantasia dentro de uma fantasia”, onde ele fez os três personagens “interagirem implicitamente sem se encontrarem e, ao mesmo tempo, viverem no presente, no passado e o futuro.”

Os monólogos conferem ao filme uma abordagem poética e surrealista com a assinatura inconfundível do escritor Rudolf Engelander, mas houve espaço para interpretações marcadamente diferentes, criadas por três equipas distintas em três partes do mundo. Assim temos os múltiplos figurinos que espelham o personagem mutável do pai, ancorado, porém, num fundo fixo de pedra, numa leitura do ator Pedro Ramos em conjunto com a sua diretora de fotografia Mairea Segui Buenaventura. Em contraste, a concubina calma, controlada e ainda assim altamente emocional é a única pessoa verdadeiramente feliz nesta história, como nos conta Kyoko Tsukamoto, apoiada pela sobriedade e elegância da imagem criada por seu diretor de fotografia Renato Di Ghiurghi. Entretanto a mãe abandonada, temperamental e profundamente infeliz, reage como se fosse instigada pela câmara, ou talvez seja a câmara a responder à impetuosa narrativa da atriz Susana Nunes captada como em “diálogo direto” pelo seu diretor de fotografia Vinicius Almada.

A ideia original deste projeto era produzi-lo como uma peça de teatro, mas as dificuldades financeiras que teríamos que enfrentar para reunir este elenco para ensaios e atuações, levaram-nos a optar por uma versão cinematográfica. Coincidentemente, a pandemia de Covid acabou obrigando o trabalho remoto. O lapso de tempo entre o primeiro segmento filmado, a mãe, e o último, a concubina, deveu-se ao fato desta atriz ter sido infetada, e tivemos que esperar muitos meses até que ela se recuperasse totalmente.

Os meios financeiros foram mínimos. Conseguimos fazer o trabalho graças à generosidade dos artistas e das equipes mais do que enxutas, cada um deles filmando o mais próximo possível de suas casas. Lamentamos não ter conseguido fornecer mais meios para garantir melhor qualidade técnica, mas acreditamos que, de fato, os profissionais envolvidos conseguiram superar as dificuldades e nos entregaram um resultado que, apesar de não ser tecnicamente perfeito, dá suporte consistente e satisfatório ao trabalho dos artistas. Agradecemos a eles e à generosidade de todos os outros colaboradores que são creditados no filme.

Tela Leão, Diretora

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