POSTAIS COMO NOTAS SOBRE TAVIRA / POSTCARDS AS NOTES ABOUT TAVIRA

A|NAFA apresenta:

Postais como Notas sobre Tavira

ensaio fotográfico coletivo sobre a cidade de Tavira segundo Álvaro de Campos

 

Um poente real é imponderável e transitório. Um poente de sonho é fixo e eterno. Quem sabe escrever é o que sabe ver os seus sonhos nitidamente (e é assim) ou ver em sonho a vida, ver a vida imaterialmente, tirando-lhe fotografias com a máquina do devaneio, sobre a qual os raios do pesado, do útil e do circunscrito não têm acção, dando negro na chapa espiritual.

in Livro do Desassossego, por Bernardo Soares, Vol II. Fernando Pessoa

 

Os postais nesta exposição são interpretações livres ou atualizações imagéticas da descrição da cidade como feita por Álvaro de Campos no poema Notas sobre Tavira:  “Cheguei finalmente à vila da minha infância./ Desci do comboio, recordei-me, olhei, vi, comparei./… Tudo é velho onde fui novo./Desde já — outras lojas, e outras frontarias de pinturas nos mesmos prédios —/Um automóvel que nunca vi … Estagna amarelo escuro ante uma porta entreaberta./Tudo é velho onde fui novo./Sim, porque até o mais novo que eu é ser velho o resto./A casa que pintaram de novo é mais velha porque a pintaram de novo./Paro diante da paisagem, e o que vejo sou eu./… Esta vila da minha infância é afinal uma cidade estrangeira./(Estou à vontade, como sempre, perante o estranho, o que me não é nada)/Sou forasteiro tourist, transeunte./E claro: é isso que sou./Até em mim, meu Deus, até em mim. Contacto: nafatavira@gmail.com

 

BIRTHDAY PARTY FOR ÁLVARO DE CAMPOS

A ¦ NAFA presents:

Postcards as Notes about Tavira

a collective photographic experiment about Tavira according to Álvaro de Campos

 

A real sunset is imponderable and transitory. A sunset in a dream is fixed and eternal.  A person who knows how to write is someone who sees his dreams clearly ( and it’s like that) or sees life in a dream, sees life immaterially, taking photographs of it with a reverie camera, On which the rays of what is heavy, or useful or circumspect, have no effect, turning the spiritual plate black.

In: The Book of Disquiet by Bernardo Soares, Vol ll. Fernando Pessoa.

 

The postcards in this exhibition are free interpretations or imaginal updates of the description of Tavira made by Álvaro de Campos in the poem “Notes on Tavira”: “I finally arrived at the town of my childhood. / I got off the train, I remember, I saw, I compared. / … Everything is old where it used to be new. / Immediately  – other shops, and other painted façades on the same buildings … / A car I had never seen … dark-yellow, stationary in front of a door that stood ajar. / Everything is old where it used to be new. / Yes, because even what is younger than me is becoming old like the rest. / The house that they newly painted is older because they newly painted it. / … I stop in front of the landscape, what I see is me. / … This town of my childhood is in the end a foreign city. / (I am, of my own volition, as ever, face to face with a stranger who is nothing to me). / I am a tourist from a foreign land, a passer-by. / It is clear, this is what I am. / Even in me, my God, even in me.” Contact: : nafatavira@gmail.com

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