Poemas . Christine De Luca

Ice Floe on-lineShetlandic

Christine De Luca

We scrit wir wirds ta mak connection
wi laands whaar eence dey wir a link;
dan dirl dem oot alang meridians
tae aa erts roond wir virtual wirld.

Eence, uncans cam bi oar or sail:
a lang sea circle vaege, da wirds
maist likely faered. Wir wirds birl
aff a satellites an starns; loup an tirl,

crackle lik mirry-dancers i da lift.
We set dem sheeksin owre Arctic distances
ta gently rummel Babel’s Tooer, an bigg
a hoose instead ta hadd wir difference.

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Ice Floe on-line

Christine De Luca

We write our words to make connection
with lands where once there was a link;
then send them zinging along meridians
in all directions round our virtual world.

At one time news came by oar or sail:
a long sea circle journey, the words
most likely feared. Our words dance
off satellites and stars; they leap and twirl,

crackle like aurora borealis in the sky.
We set them blethering across arctic distances
to gently topple Babel’s Tower, and build
a house instead to hold our difference.

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Bloco de gelo online

Christine De Luca

Nós escrevemos nossas palavras para fazer conexão
com terras onde antes havia uma ligação;
depois as atiramos zunindo ao longo dos meridianos
por todo lado em volta do nosso mundo virtual.

Em tempos as notícias vinham a remo ou vela:
uma longa jornada marítima circular, as palavras
provavelmente temidas. Nossas palavras dançam
desde satélites e estrelas; elas pulam e giram

crepitam como a aurora boreal nos céus.
Nós as fazemos tagarelar em distâncias árticas
para destruir aos poucos a Torre de Babel e construir
no lugar uma casa para guardar as nossas diferenças.

tradução de T. Leão

Soondscapes . Shetlandic

Christine De Luca

I da dizzied hoose, a strum of flechs baet
endless drums fornenst a frenzied window.
Belligerent, dey want nedder in nor oot.

Apö da broo, ahint a wheeshtit chapel,
twa windmills spin new soondscapes owre
da laand, kert-wheelin alleluias.

Cloistert granite hadds a orchestration
o birds, a oorie whirr, a vimmerin
o whaaps an peewits. Da wind

troo da grind is a spaekin in tongues
wi da bruckit feed-hoop tunin in:
idder-wirdly, intimately insistent.

Aa dis music ta lö tae, ta slip inta:
a aald organ nönin, a hushie hubbelskyu.
Up owre da hill, airms turn, da haert lifts.

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Soundscapes

Christine De Luca

In the dizzied house, a strum of flies beat
endless drums against a frenzied window.
Belligerent, they want neither in nor out.

On the brow of the hill, behind a silent chapel,
two windmills spin new soundscapes over
the land, cart-wheeling alleluias.

Cloistered granite holds an orchestration
of birds, an eerie whirr, tremulous sounds
of curlew and lapwing. The wind

through the metal gate is a speaking in tongues
with the broken feed-hoop tuning in:
other-worldly, intimately insistent.

All this music to attend to, to slip into:
an old organ droning, an uproarious lullaby.
Up over the hill, arms turn, the heart lifts

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Paisagens Sonoras

Christine De Luca

Na casa sonolenta, insetos tamborilam
infindavelmente contra uma janela, frenéticos.
Beligerantes, eles não querem sair nem ficar.

No alto da colina, atrás de uma capela silenciosa,
dois moinhos-de-vento sopram novas paisagens sonoras
sobre a terra, em aleluias de rodas que giram.

Granito enclausurado retém uma orquestração
de pássaros, um zumbido sinistro, sons trêmulos
dos maçaricos-reais e dos abibes. O vento

através do portão de metal é como um falar em línguas
com o casquilho quebrado afinando um som:
de outro mundo, intimamente insistente.

Toda essa música para se ouvir, para entranhar:
o som de um velho órgão, uma canção de ninar ruidosa
Para a colina viram-se os braços, ergue-se o coração.

tradução T. Leão