ODE MARÍTIMA

João Garcia Miguel apresenta

 

Claustro do Convento do Carmo
QUA 28, QUI 29 e SEX 30 Nov às 18h30                                                                                                                                                                                                                                  

Quilhas partidas, navios ao fundo, sangue nos mares! Conveses cheios de sangue, fragmentos de corpos! …  Eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh-eh!

In Ode Marítima . Álvaro de Campos

Com João Garcia Miguel, direção de Alberto Lopes, desenho de luz de Alexandre Coelho


Ode Marítima não é um texto dramático no sentido em que não tem uma acção que siga a regra do texto teatral. Nem personagens. Nem acção. Mas é um texto com uma estética implícita, precisa, quase geométrica, intensa, reveladora. Interessa, portanto, que nos interroguemos sobre como deduzir regras de composição e, também, sobre como abordar a construção de um nexo elocutório que, na sua simplicidade, represente o texto mais como um momento em que ele se produz como entidade-viva do que como um discurso normativo sobre a forma do texto poético. A associação íntima inteligência | voz é um retomar da questão do próprio fundamento da linguagem, mas aqui desviada para o fundamento da estética, entendida num sentido lato, não restrito à ideia de forma visual. A Ode Marítima masteriza a relação entre ideia e expressão. A escolha de cada palavra, as sequências, os ritmos, as sonoridades – ou os resultados sónicos de tudo isso, que são o que realmente existe, o que realmente chega ao espectador, ou ouvinte, ou o-outro-que-assiste, a testemunha.

Um ator é um especialista em dar corpo às palavras, em revelar os seus sentidos. O seu trabalho começa na leitura, nas leituras, na maceração das palavras e dos seus sons e articulações e progride até que o texto se revela como entidade-coisa independente e segura. É este trabalho que nos faz acreditar que talvez toda esta construção possa prolongar-se numa existência oblíqua, num artefacto cénico igualmente fingidor, impreciso e imaterial.

Alberto Lopes

 

João Garcia Miguel, Ator, Encenador, Artista Plástico – O Marinheiro

Inicia a carreira profissional nos anos 80 percorrendo diferentes expressões artísticas. É um dos fundadores dos coletivos artísticos: canibalismo cósmico, galeria zé dos bois e olho – associação teatral. Em 2003 fundou a companhia JFM. Em 2008 é nomeado diretor artístico do teatro–cine de torres vedras. É artista associado do Actor’s Center de Roma e Milão, Itália. Desde 2007 desenvolve investigação, na Universidade De Alcalá De Henares, na Universidade De Granada e agora na Faculdade de Belas Artes De Lisboa. Recebeu em 2008 o prémio Fad Sebastià Gasch e em 2013 o prémio de melhor espetáculo do ano com Yerma pela Sociedade Portuguesa de Autores.

Alberto  Lopes, encenador, cenógrafo artista multimédia – O Marinheiro

Estudou  arquitetura  (esbal),  contrabaixo  e  cinema (Conservatório Nacional). A sua atividade profissional e artística centra-se na direção  e projeto de espetáculos de teatro, música e multimédia. O  seu  trabalho  está   centrado   na investigação   sobre   os   limites   da expressividade cénica da performance e da tecnologia no envolvimento do público.  São  exemplos  produções  com  São José  Lapa  e  Pedro  Cabrita  Reis, Rui Veloso, Delfins, João Grosso, Rui Castelo Lopes e Xanam ou a megaprodução Acqua Matrix (expo 98) com Mark Fisher, David Toop e João Paulo Feliciano.

 

Alexandre Coelho, desenho de iluminação – O Marinheiro

Vocacionado para o tratamento da imagem do espetáculo nas artes performativas, desde 1989 desenvolve a sua atividade essencial como designer, operador e docente de iluminação. Participa, em diversas produções de espetáculos de música, teatro, dança, audio visuais (Acqua Matrix – espetáculo noturno diário da expo’98) instalações e , acontecimentos culturais das quais destaca os Festivais Temps D’images e Verão Azul e como diretor técnico da área de espetáculos do porto 2001 capital europeia da cultura e pavilhão de Portugal na Expo de Zaragoza.