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VAGA NO AZUL

poema: Fernando Pessoa
música: Pedro Antunes
arranjo: Luís Conceição
interpretação: QUATRO VOZES À CAPPELLA:
Daniela Rodrigues (maestrina e soprano)
Inês Rodrigues (contralto)
Filipe Xavier Bagarrão (baixo)
Marcelo Arrais do Livramento Viegas, (barítono)

imagem: Miguel Andrade

Vaga, no azul amplo solta,
Vai uma nuvem errando.
O meu passado não volta.
Não é o que estou chorando

O que choro é diferente.
Entra mais na alma da alma.
Mas como, no céu sem gente,
A nuvem flutua calma,

E isto lembra uma tristeza
E a lembrança é que entristece,
Dou à saudade a riqueza
De emoção que a hora tece.

Mas, em verdade, o que chora
Na minha amarga ansiedade
Mais alto que a nuvem mora,
Está para além da saudade.

Não sei o que é nem consinto
À alma que o saiba bem
Visto da dor com que minto
Dor que a minha alma tem
.

20-3-1931   Poesias. Fernando Pessoa. 

DA MINHA ALDEIA

poema: Fernando Pessoa
música e interpretação: OS MENIR
Ângela Rosa (voz)
Pedro Vaz (guitarra Portuguesa)

imagen: Ricardo Flôxo

Os Menir criam ambientes musicais da world music.
Desde 2020 na Festa dos Anos de Álvaro de Campos;

Da minha aldeia vejo quanto da terra se pode ver do Universo…
Por isso a minha aldeia é tão grande como outra terra qualquer,
Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura…

Nas cidades a vida é mais pequena
Que aqui na minha casa no cimo deste outeiro.
Na cidade as grandes casas fecham a vista à chave,
Escondem o horizonte, empurram o nosso olhar para longe de todo o céu,
Tornam-nos pequenos porque nos tiram o que os nossos olhos nos podem dar,
E tornam-nos pobres porque a nossa única riqueza é ver.

s.d. “O Guardador de Rebanhos”. In Poemas de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa.

THE HAPPY SUN

poema: Fernando Pessoa
música: POETAS CANTADOS
Anapi (voz)
Stelmo Barbosa (voz, guitarra e flauta)
André Rocha (violoncelo)
Délio Vaz Velho (Baixo)
Luis Monteiro (percussão)

imagem e grafismo: Ana Medeira

Desde 2016 na Festa dos Anos de Álvaro de Campo. Cantaram no Teatro Lethes, Clube de Tavira, Casa Álvaro de Campos e outros.

The happy sun is shining
The fields are green and gay,
But my poor heart is pining
For something far away.
It`s pining just for you,
It`s pining for thy kiss.
It does not matter if you’re true
To this.
What matter is just you.

I now the sea is beaming
Under the summer sun.
I know the waves are gleaming,
Each one and every one.
But I am far from you,
And so far from your kiss!
And that`s all I get that’s really true
In this.
What matters is just you.

Oh, yes, the sky is splendid,
So blue as it now,
The air and light are blended,
Oh yes, hot, anyhow,

Nothing of this is you
I’m absent from your kiss,
That`s all I get that`s sad and true
In this
What matter is just you.

90 Poemas Últimos Fernando Pessoa 22-11-1935


SINOPSE: Ana Medeira
Com uma abordagem de autor, o vídeo reflete sobre a percepção amorosa que uma pessoa pode ter em relação a outra pessoa. Os sentimentos que pode experienciar ao sentir que o outro ser é o único que lhe importa. O quanto esse estado de alma o condiciona no entendimento sobre o mundo que o rodeia. Através da poesia, da música e da imagem, convidamos o espectador a uma reflexão sobre o que é o amor e como este se manifesta

OPIÁRIO

poema: Álvaro de Campos
música e interpretação de GENOVEVA FAÍSCA

imagem: Vinicius Almada

Cantora e compositora de jazz, música experimental, improvisação, bossa nova.  Atriz e cantadora de contos. Lançou em 2020 o livro “La Donna Ignobile”. Domina vários dialetos do Passarês. Mais info neste link;

Em paradoxo e incompetência astral
Eu vivo a vincos de ouro a minha vida,
Onda onde o pundonor é uma descida
E os próprios gozos gânglios do meu mal.
(…)

Ando expiando um crime numa mala,
Que um avô meu cometeu por requinte.
Tenho os nervos na forca, vinte a vinte,
E caí no ópio como numa vala
.

Ao toque adormecido da morfina
Perco-me em transparências latejantes
E numa noite cheia de brilhantes
Ergue-se a lua como a minha Sina
. (…)

E fui criança como toda a gente.
Nasci numa província portuguesa
E tenho conhecido gente inglesa
Que diz que eu sei inglês perfeitamen
te. (…)

Leve o diabo a vida e a gente tê-la!
Nem leio o livro à minha cabeceira.
Enoja-me o Oriente. É uma esteira
Que a gente enrola e deixa de ser bel
a. (…)

Por isso eu tomo ópio. É um remédio.
Sou um convalescente do Momento.
Moro no rés-do-chão do pensamento
E ver passar a Vida faz-me tédio
. (…)

Eu acho que não vale a pena ter
Ido ao Oriente e visto a Índia e a China.
A terra é semelhante e pequenina
E há só uma maneira de viver
. (…)

Caio no ópio por força. Lá querer
Que eu leve a limpo uma vida destas
Não se pode exigir. Almas honestas
Com horas pra dormir e pra comer
,

Que um raio as parta! (…)

A minha Pátria é onde não estou.

Não haver um navio que me transporte
Para onde eu nada queira que o não veja! (…)
Um Oriente ao oriente do Oriente.

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa 3-1914

SINOPSE: Vinicius Almada
Justaposição de imagens de arquivo sobre a interpretação de Genoveva Faísca do Opiário, que, como na lingiística, duas ou mais palavras se juntam para formarem uma palavra nova, ou como na biologia, com a agregação sucessiva de camadas à superfície como modo de crescimento em corpos inirgânicos.

CARTAS DE AMOR

poema: Álvaro de Campos
música: FADO TROPICAL
Emanuela Furtado (voz)
Domingos Ramalho (clarinete)
Orlando Almeida (viola e guitarra portuguesa)
Ricardo Gonçalves (viola baixo)

e Vasco Fialho (percussão).

imagem: Orlando Horta

Fusão de harmonias, melodias e ritmos em temas originais, fado de Coimbra e Lisboa, e sons da lusofonia. São: Emanuela Furtado (voz), Domingos Ramalho (clarinete), Orlando Almeida (viola) e (guitarra portuguesa), Ricardo Gonçalves (viola baixo) e Vasco Fialho (percussão).

Todas as cartas de amor são Ridículas
Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas..
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras, Ridículas
.

As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram Cartas de amor
É que são Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso Cartas de amor Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são Ridículas.

(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente Ridículas).

Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. 21-10-1935

THE MAD FIDDLER

poema: Fernando Pessoa
música: Luís Conceição
interpretação: MAD TRIO
Luis Conceição (piano)
Maggie Hennessy (voz)
Jan Pipal (violino)

imagem: Blar Pereira

Not from the northern road,
Not from the southern way,
First his wild music flowed
Into the village that day.

He suddenly was in the lane,
The people came out to hear,
He suddenly went, and in vain
Their hopes wished him to appear.

His music strange did fret
  Each heart to wish ’twas free.
It was not a melody, yet
It was not no melody.

Somewhere far away,
Somewhere far outside
Being forced to live, they
Felt this tune replied.

Replied to that longing
All have in their breasts,
To lost sense belonging
To forgotten quests.

The happy wife now knew
That she had married ill,
The glad fond lover grew
 Weary of loving still,

The maid and the boy felt glad
That they had dreaming only,
The lone hearts that were sad
Felt somewhere less lonely.

In each soul woke the flower
Whose touch leaves earthless dust,
The soul’s husband’s first hour,
The thing completing us,

The shadow that comes to bless
 From kissed depths unexpressed,
The luminous restlessness
That is better than rest.

As he came, he went.
They felt him but half‑be.
Then he was quietly blent
With silence and memory.

Sleep left again their laughter,
Their tranced hope ceased to last,
And but a small time after
They knew not he had passed.

        Yet when the sorrow of living,
Because life is not willed,
Comes back in dreams’ hours, giving
 A sense of life being chilled
,

        Suddenly each remembers
t glows like a coming moon
On where their dream‑life embers
The Mad Fiddler’s tune ­

The Mad Fiddler. in Poesia Inglesa. Fernando Pessoa.18-4-1915 e 20-4-1917 

BIOGRAFIAS

Daniela Filipa Lourenço Rodrigues . Soprano

Começou a cantar aos 10 anos, no coral Nova Esperança. Iniciou os seus estudos na Academia de Música de Tavira. Terminou o curso de canto na Academia de Música de Lagos. Participou nos musicais: Música no coração e Sweeney Todd. Trabalhou com Lúcia Lemos, Ângela Silva, Kathryn Hartgrove e Charles Wood. Licenciou-se em canto lírico pela Universidade de Évora. Frequenta o mestrado em ensino da música, na Universidade Católica do Porto. Aos 20 anos fundou o coro Jubilate Deo, do qual é maestrina.

Filipe Marcelo Xavier Bagarrão . Baixo

Iniciou os seus estudos de trompete na Banda Musical de Tavira em 2003 com Filipe Jorge Bagarrão e Marco Alexandre Sarrudo. Cursa formações e masterclasses do instrumento. Em 2008 estudou no Conservatório Regional do Algarve Maria Campina. Em 2009 frequentou o Curso de Instrumentistas de Sopro e Percussão na Escola Profissional Metropolitana. É professor na Banda Musical de Tavira e é 1º trompete na Banda Musical de Tavira. Lecionou nas escolas primárias do concelho. Integra o Coro Jubilate Deo.

Inês Margarida Lourenço Rodrigues . Contralto

Completou o 5ºgrau do curso da Academia de Música de Tavira. Concluiu o curso de piano na Academia de Música de Lagos. Participou em formações nas áreas de piano, dicção e teatro, produção musical e técnicas de som. Desde 2011 é coralista e pianista acompanhadora no Coro Jubilate Deo. Em 2013, foi a 2ª classificada no concurso de piano Sebastião Leiria. Em 2020, terminou o Curso de Criação Musical, Produção e Técnicas de Som na Etic Algarve. Participou ainda no Coro da Orquestra Clássica do Sul.

Marcelo Arrais do Livramento Viegas . Barítono

Iniciou sua formação com aulas particulares em 1996. Em 1999, ingressou no curso de piano da Academia de Música de Tavira. Foi monitor de piano na mesma academia e professor de música no ensino pré-escolar. Aos 10 anos entrou para o grupo coral Nova Esperança. Cantou no Psallite Chorus, dirigido por David Sequeira. Cantou no quinteto Sotto Voce (sacra e gospel), “Melliflows” (pop acapella) e “Cantare Laudem” (música cristã contemporânea). Desde 2013, integra o coro de música sacra Jubilate Deo.

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